Um Vinho do Japão

Há sete anos, mais ou menos, participei de uma degustação de vinhos da Importadora Expand com minha wine writer favorita, a britânica Jancis Robinson.
Hoje ela publicou um texto sobre uma uva japonesa e eu o resumi aqui, para aqueles que, como eu, gostam muito deste assunto…

Para os japoneses as internacionais Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Merlot são as uvas mais glamurosas, mas nos últimos tempos os holofotes estão voltados para a Koshu, uva de pele grossa e rosada, cultivada na região de Yamanashi, mas ainda vista com desconfiança dentro do país.

Com apoio do governo de lá, a organização Koshu do Japão está engajada numa campanha para que a uva brilhe no cenário internacional. O foco inicial é a Grã-Bretanha, onde o mercado é economicamente estável, há um grande interesse pela gastronomia japonesa e sua característica não é a de uma região produtora de vinhos; também não existe por lá o hábito de se tomar sake tão arraigado quanto na América, por exemplo.

E foi no início desse ano que um dos mais finos restaurantes japoneses de Londres, o Umu, recebeu uma comitiva de produtores de vinho de Yamanashi para provar a alguns dos grandes wine writers que o Koshu vai bem com muitos de seus pratos. 3 de 4 britânicos  demonstraram grande interesse pela “nova” e exótica uva.

O problema é que nem a uva Koshu, nem a apelação Yamanashi estão oficialmente registradas junto aos órgãos europeus competentes. O segundo caso é até fácil de se resolver. O primeiro é mais delicado, já que não é permitida a mistura de açúcar para elevar o teor alcoolico da bebida ou aumentar sua acidez, características em baixo nível em um Koshu, embora a safra 2009 tenha sido excepcional nestes aspectos. Bem, as exigências para a exportação do vinho podem ter um efeito benéfico a longo prazo nas técnicas de produção, quem sabe…

O vinho Koshu, que deve ser consumido jovem, é de corpo leve e transparente e, portanto, melhor servido um pouco gelado. Não será fácil convencer o consumidor inglês a pagar mais por uma garrafa deste vinho do que as £10 que ele gasta em um Muscadet. Imagina-se por isso que, por curiosidade, os sommeliers estarão mais interessados no vinho japonês do que os comerciantes.

Mas há esperanças. Mesmo Hiroshi Yamamoto, um dos mais céticos em relação ao Koshu, famoso por suas traduções para o japonês de inúmeros livros sobre vinho -e que descreve esse vinho como ‘essencialmente sem muita personalidade, como as mulheres japonesas’-  admite que a qualidade dos melhores vinhos feitos com a Koshu cresceu muito nos últimos anos, graças a diferentes técnicas de produção; enquanto isso, para manter a uva o mais natural possível, alguns produtores estão focando nos espumantes.

imagem:reprodução

Para Jancis Robinson, o que mais seduz em um Koshu é a sua delicadeza, sua pureza, e o quanto ele se identifica com as regiões mais calmas do cenário gastronômico japonês. Para ela, os melhores vão particularmente bem com sashimi, ostras, com sushi, tempura, arroz, e até mesmo com risotos delicados. Conta ela que como sabores específicos, encontrou yuzu (fruta cítrica japonesa) em alguns, lichia em outros… Ouviu de um grande wine writer japonês que marmelo é a fruta predominante. Ela termina: “Minha amizade com o Koshu ainda é embriônica, mas já listei os que mais me impressionaram até agora”. São eles Grace, Haramo, Lumière, Marufuji, Yamanashi.

Do texto publicado hoje por Jancis Robinson, “Koshu gets a passport” em seu site.

[jancisrobinson]

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